sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Ao pé do Ouvido: Um início de conversa


Escrever sobre a história da cidade. Escrever outras histórias de uma mesma cidade.
Pelotas é uma cidade no extremo sul do país. Uma cidade ao sul do Rio Grande do sul.
Uma cidade ao sul do sul. Tão longe de grandes centros. Longe três horas da capital do Estado.
Uma cidade com mais de 300 mil habitantes e que poderia ser uma cidade do Interior, como de fato a geografia confirma.
No entanto a força de homens e mulheres daqui ergueu uma cidade, um lugar que não se encerra em uma definição como as mencionadas acima.
A trajetória destes homens e mulheres deixou marcas, registros que promoveram o surgimento de culturas várias que se encontram nas ruas de pedra, nos casarões, nas charqueadas vazias, nos teatros , na face e nos gestos de negros, brancos, homens, mulheres.
Dos escravos, dos barões, do doce, do sal. De um conjunto de coisas que foram ditas e silenciadas. De tudo que hoje forma um conjunto material e imaterial que espelha e afirma àqueles que escolheram esta terra para construir sua vida.
Em um tempo onde a cidade busca encontrar saídas para um futuro econômico, social e cultural, um grupo de profissionais da área da cultura resolveu entrar na aventura de contar, em 32 programas veiculados nas cinco rádios AM da cidade um pouco destes suportes da memória que são os diversos patrimônios material e imaterial.
À aventura de contar essas outras histórias - que não se pretendem únicas, mas outras mesmo- somaram-se as duas universidades da cidade: A Universidade Católica de Pelotas, através da escola de Comunicação social e a Universidade Federal de Pelotas- através do programa de mestrado em memória social e patrimônio cultural.
Juntos adentramos em um ano de escritas,leituras, estudos, estúdios, gravações, edições que tomaram os dias, as noites e até algumas madrugadas. Neste tempo do visual contamos histórias para serem ouvidas.Buscamos produzir outros sentidos por um sentido outro deste que toma o nosso tempo.Uma escolha, não uma rejeição.
Como leme tínhamos a figura de Rodolpho Xavier, iluminada historicamente por um de nós interpretada com entrega por outro de nós.
Agora que a caminhada se encerra (ou não) os nossos olhares se voltam ao realizado e mais uma vez reunidos reafirmamos nosso compromisso com crenças que não se sustentam apenas na necessidade de ganhar a vida diariamente, mas acima de tudo de fazermos do nosso trabalho uma forma de construção da arquitetura do mundo no qual cremos.
A equipe do projeto:

Alessandra Ferreira, Alex Ramirez, Beatriz Araujo, Igor Simões, Luana Quadros, Lúcio Alves, Marco Franco, Rafael Varela e Renata Porcellis.


No vídeo, o ator Alex Ramirez interpreta Rodolpho Xavier na última gravação do projeto.